Bancos de dados de DNA "sem uso para terroristas"



Foi levantada a possibilidade de que os terroristas poderiam pegar dados publicamente disponíveis sobre micróbios nocivos e utilizar novas técnicas de engenharia genética para transformar tal informação em bio-armas letais.

Esta assustadora possibilidade requer a classificação de dados genômicos de organismos nocivos.

Porém, uma cientista do campo disse ao BBC News Online que bioterroristas potenciais não seriam capazes de fabricar geneticamente vírus ou bactérias fatais utilizando o banco de dados.

A Dra. Claire Fraser, do Instituto para Pesquisas Genômicas (Tigr), diz que embora os dados genéticos de patógenos humanos sejam públicos, ninguém sabe o suficiente para transformar esta informação em armas biológicas.

Ela diz ainda que tornar secretos os genomas somente iria prejudicar a ciência - somente os terroristas iriam querer.

Ciência ou ficção científica?
Em 1995, o gás Sarin foi lançado nos subsolo de Tóquio. Em 2001, o Anthrax foi enviado através do correio dos Estados Unidos, e há alguns dias atrás vestígios do venenoso Ricin foram encontrados em um flat em Londres.

Todas estas substâncias são assustadoras e são parte do arsenal terrorista.

Mas algumas pessoas temem que estes materiais possam ser "fracos" comparados com o que os terroristas, armados com modernas técnicas de engenharia genética disponível livremente, poderiam fazer se produzissem uma arma biológica auto-replicadora que fosse infecciosa e mortal.

Um medo de que isso aconteça fez com que fosse necessário que os genomas de alguns organismos perigosos fossem classificados.
Mas isso é coisa da ficção científica, ou é uma possibilidade?

As Academias Nacionais dos EUA e o Centro para Estratégias e Estudos Internacionais organizaram uma conferência para discutir o tão falado armamento de genomas.

Experimentos Soviet
Assim como a Dra. Claire Fraser, estava no painel o Dr. George Poste, chairman do Departamento de Unidade Naval de Defesa contra o Bioterrorismo dos EUA.

Ele esboçou que alguns medos podem se concretizar no futuro.

Ele descreveu que micróbios feitos sob medida que produzem toxinas poderosas, evadem antibióticos e até produzem "vetores de vírus clandestinos", que podem integrar DNA patogênico diretamente em um genoma de um indivíduo.

Talvez os micróbios poderiam ser modificados para evadir a detecção por diagnósticos e pelo sistema imunológico humano. Mais tarde, estas infecções fatais poderiam ser ativadas por tratamentos para outras doenças.

Ainda mais micróbios malevolentes podem tornar o sistema imunológico humano contra ele mesmo, causando severos choques tóxicos, similares à fusão biológica do Ebola.

"Isto não é ficção científica", disse o Dr. Poste. "O agora extinto programa Soviet de armas biológicas trouxe muitas delas à vida".

Fim ao mito
"À luz destas possibilidades patogênicas", perguntou a Dra. Fraser, "deveriam as informações de seqüências genômicas ser mantidas a sete chaves por regulamentação governamental?"

Ela disse que esta não era uma questão acadêmica. Na Tigr, cientistas seqüenciaram quase 20 patógenos, incluindo aqueles que causam cólera, pneumonia, anthrax, meningite e sífilis.

O instituto também foi envolvido em identificar a força do anthrax usado nas cartas venenosas de 2001.

Entretanto, a despeito disso, ou talvez por causa disso, a Dra. Fraser acredita que tais seqüências de DNA devem permanecer públicas.

Ela disse ao BBC News Online: "Eu quero pôr fim ao mito de que os genômicos tornaram genes de vírus e patógenos em terroristas em potencial."

"Eu ouvi alguém descrever os bancos de dados genômicos como catálogos de bioterror onde pode-se solicitar um gene resistente a antibióticos de um determinado organismo, uma toxina de outro organismo, uma molécula de outro organismo, e rapidamente projetar um super patógeno."

"Isto não é o caso."
Embora os cientistas tenham muitas informações genéticas sobre bactérias e vírus que poderiam, a princípio, ser acostumados a gerar "super organismos", a Dra. Fraser disse que havia tantas coisas que não entendíamos sobre a função dos genes que tal informação não teria uso prático para um bioterrorista.

Ela disse que os benefícios de manter os dados livremente disponíveis eram claros.

"Nós temos que manter nossos bancos de dados abertos - para promover pesquisas que possam aumentar nosso nível de preparo e como conseqüência , talvez sirvam como um impedimento."

Fonte: BBC News Online

Voltar para as publicações